O que nos faz correr...
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pela Professora Luísa Oliveira 10 de Novembro de 2004
O que nos faz correr…
Quando se esgota a força no ginásio, se tenta alcançar mais rapidamente a meta, quando se dança para atingir a perfeição, se elevam pesos cada vez mais insuportáveis… em que se pensa?
Em conquistar a todo o custo
um corpo perfeito?
Em vencer os outros? Em vencer as nossas próprias limitações? Em, desesperadamente, evitar que o tempo seja mais forte e nos envelheça instante a instante? Antes de nós, há muitos milhares de anos, já outros homens cultivavam os músculos, competiam lado a lado, tentavam que o seu corpo fosse exemplar. Os gregos deixaram-nos a maior competição a nível mundial: os Jogos Olímpicos. O culto pelo corpo foi sempre um problema central na sociedade, os mesmos gregos adoravam deuses que, simbolicamente, se transformavam em estátuas de beleza incomparável: os corpos representados tinham as proporções exactas, corpos que, no masculino, se mostravam atléticos e que, no feminino, se sentiam graciosos e elegantes. Deuses e deusas compartilhavam com os homens a ânsia de serem belos e eternos. No fundo, todos nós corremos através da vida e queremos ganhar. No entanto, é bom que não nos percamos na vaidade e na competição desenfreada. Somos um todo e o corpo denota tudo aquilo em que apostamos, o bom e o mau. A corrida que fazemos será, sem dúvida, muito melhor se for com os outros e não contra os outros, se gostarmos de ser quem somos e não só da nossa aparência. O desporto deve ser sempre a conquista de uma vida melhor, mais saudável, mais sociável, mais prolongada. Não somos deuses, ninguém, talvez, nos veja transformado em estátua. No entanto, cada um de nós pode ser eterno na medida em que contribua com o seu pensamento na evolução de um mundo que se quer muito melhor.
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